segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Rolling Stones em SP: É só Rock n' Roll e quem precisa de mais?

Rolling Stones em São Paulo, no sábado

Você consegue imaginar 68 mil pessoas gritando maravilhadas com um senhor de 72 anos e sua banda de rock? Foi exatamente isso o que aconteceu na noite desse sábado, no Estádio do Morumbi durante o show dos Rolling Stones, o segundo da turnê Olé na cidade.

O céu parcialmente nublado do sábado acolheu aos poucos os grupos de pessoas - famílias, casais, jovens ou nem tanto - que chegavam aos poucos no Estádio e congestionavam cada vez mais a região do Morumbi, em São Paulo.

Dando lugar 'pros gringo entrar'

Mas antes dos ingleses, a plateia contou com uma atração de aquecimento: os Titãs. O grupo, também veterano de estrada, apostou num repertório de sucessos que contou com "AA UU", "Comida", "Cabeça Dinossauro" e "Homem Primata", de um total de 13 músicas.

A sempre instigante "Polícia" foi precedida pela marchinha "Acorda, Maria Bonita" à capela e terminou com um verso de "Fardado" ("Você também é explorado, fardado!"), canção do mais recente disco - afinal a polícia não pode ser vista como a encarnação de todo o mal, policial também é gente.

A animada apresentação levantou o público, fez todo mundo cantar junto e encerrou com "Aluga-se", do Raul Seixas, e os sugestivos versos: "Vamo embora, dar lugar pros gringo entrar".


It' only Rock n' Roll, but I like it!

Mostrando que ser rock n' roll é chegar aos 72 anos em cima do palco, Mick Jagger cantou e dançou praticamente durante todas as mais de duas horas de apresentação desde "Jumping Jack Flash" que abriu a noite. O único momento em que não esteve no palco foi durante as duas faixas cantadas por Keith Richards, "Slipping Away" e "Before they make me run". O pique e o bom humor desse senhor que já pode ser bisavô não apenas contagiam, como causam certa inveja: será que vamos chegar a essa idade tão bem assim?

Os guitarristas Keith Richards e Ron Wood são menos agitados em suas performances, mas também transpiram uma energia de vida incrível. O baterista Charlie Watts, como esperado, é o mais comedido: discreto no visual, nos trejeitos e no modo de tocar. Nem por isso deixou de ser alvo de uma piada de Jagger: foi apresentado pelo vocalista como "a rainha da Bossa Nova" - em português mesmo.

Jagger falou diversas vezes com o público em português: frases curtas, mas que alegraram os fãs, mostrando a preocupação da banda em se aproximar do público - mesmo que a banda não tenha, a essa altura, a menor necessidade de provar nada ou conquistar ninguém. Show dos Rolling Stones é jogo ganho para todos: para a banda, para o público, para os produtores.

Até para os vendedores de capa de chuva houve ganho: eles aproveitaram a ameaça das nuvens cinzentas para fazer um troco. Por sorte, choveu apenas durante uns 15 minutos: começou em "Gimme Shelter" (mas pouca gente correu para um abrigo), continuou em "Start Me Up" e parou no meio de "Sympathy for the Devil" - talvez por um efeito de dança da chuva ao contrário. Depois ainda caiu uma garoa fina, mas apenas por alguns minutos.

Por falar em "Sympathy for the Devil", os telões que a banda monta nas laterais do palco são impressionantes. Gigantescos, permitem que mesmo o cara sentado na arquibancada do lado oposto acompanhe o show como se estivesse perto do palco. Para introduzir essa música, os telões trouxeram ilustrações temáticas: cruzes invertidas, pentagramas, um bode e uma representação do próprio "man of wealth and taste", como diz a letra da canção. Jagger entrou no palco encarnando aquele que rouba a fé e a alma dos homens com uma capa preta de plumas vermelhas.

Com um repertório certeiro (veja imagem abaixo), ainda que, obviamente, sempre vá faltar essa ou aquela que o fã gostaria de ter visto e ouvido ao vivo, o show encerrou às 23h20 com a batida e ao mesmo tempo maravilhosa "(I can't get no) Satisfaction".

 
 
 
Fonte: Território da Musica

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