segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Pearl Jam e o poder da música vencem a chuva em São Paulo


Um estádio do Morumbi lotado recebeu a banda norte-americana Pearl Jam na noite deste sábado, 14 de novembro, e foi palco de um poderoso ritual que só a música pode promover: reunir milhares de pessoas e fazê-las entoar hinos a uma só voz.

A apresentação começou com 15 minutos de atraso, às 20h45, e durou quase três horas - sem exibição do anunciado documentário "Floresta", que abriria o show. E mesmo com uma chuva persistente sobre sua cabeça, o público se manteve conectado à banda e só um punhado de pessoas correu para se abrigar em um local coberto quando a água caiu com vontade do céu.

Sob a batuta de Eddie Vedder, vocalista do grupo, o show começou com "Long Road", mas a plateia explodiu mesmo na quarta música, "Do the Evolution". Em "Even Flow" a catarse atingiu o primeiro pico da noite - o segundo veio com "Jeremy" e o terceiro, com "Alive" - todas as três do primeiro disco da banda.

Os acontecimentos em Paris na noite anterior foram lembrados: uma torre Eiffel foi desenhada no bumbo de Matt Cameron e logo após a segunda música, num discurso em português torto, lido de um papel, Vedder citou o ocorrido.

Em diversos momentos, Vedder assumiu um papel protetor, do tipo paizão: "Vocês estão bem?", perguntou quando uma ventania balançou os telões nas laterais, os canhões de luz, as lâmpadas móveis (que subiam e desciam) e uma escultura de metal dependurada na estrutura superior do palco. "É o vento. Vamos parar só para checar se está tudo bem".

O repertório teve "Lightning Bolt", "Getaway", "Better Man", "Black" e "Why Go", entre outras. Enquanto rolava "Given to Fly", o telão mostrava cenas feitas por um drone naquela tarde nos arredores do estádio, com os fãs formando filas, agitando bandeiras e ostentando camisetas da banda. A versão de "Rockin' in the Free World", de Neil Young, ficou bonita já quase no final da apresentação.

Mas o momento mais emocionante da noite foi "Imagine", de John Lennon, em homenagem às vítimas de Paris. Em meio à mensagem de paz e às telas de celulares que criavam um espetáculo visual pela pista e arquibancada, a música rompeu fronteiras: uma banda norte-americana, homenageava a capital francesa, tocando a canção de um inglês em solo brasileiro. A música viaja por ondas que atravessam barreiras e atinge todo tipo de gente, independente de sua cor, time ou crença.

Talvez seja um show longo demais se você não é exatamente um fã de Pearl Jam, especialmente porque que a banda não toca apenas os hits, mas encaixa algumas faixas um tanto arrastadas no longo repertório. É hora daquele público mais genérico, que bandas de grande porte sempre atraem, ir buscar uma cerveja, conferir as notificações no celular ou simplesmente conversar dando as costas para o palco - sim, há quem pague R$ 680,00 (inteira) para ficar de costas para a banda na pista Premium.

Para quem é fã, o ritual do Pearl Jam foi perfeito - ou quase, já que "Last Kiss" ficou de fora - e testou a resistência do coração dos fãs. "All Along the Watchtower", música de Bob Dylan, trouxe o arrepio final para encerrar a chuvosa noite.

  





Informações do Território da Musica

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