sexta-feira, 2 de outubro de 2015

David Gilmour: Rattle That Lock

 


Próximo à sonoridade do Pink Floyd, com a guitarra e a voz inconfundíveis.
 
A carreira solo de David Gilmour sempre ficou na sombra do sucesso do Pink Floyd, até porque ela não é prolífera, como também não foi a do Pink Floyd nas últimas três décadas. O fato dos discos solos não terem uma grande visibilidade me parece algo injusto.

Vejamos, por exemplo, o ótimo “On an Island”, lançado em 2006. Ainda que seja muito mais acústico e sem teclados do que um disco do Pink Floyd, é um trabalho com uma identidade musical coesa e traz algumas faixas que se encaixariam bem num disco da banda, como “Castellorizon”, “Take a Breath” e a faixa-título. Porém, ainda assim, é um trabalho diferente.

Nove anos depois de “On an Island”, Gilmour lança seu quarto trabalho solo, “Rattle That Lock”. Mais uma vez o guitarrista e vocalista consegue criar uma sonoridade que remete ao seu passado à frente do Floyd, mas também caminha por outras trilhas. Há canções ou momentos que facilmente nos fazem lembrar alguma música da ex-banda de Gilmour, até porque existe uma assinatura única nas linhas de guitarra do músico, além - é claro - de sua voz inconfundível.

“Rattle That Lock” é um disco mais diversificado musicalmente se comparado ao seu antecessor. O material foi gravado parte no estúdio Medina, na cidade de Hove, e parte no barco-casa-estúdio Astoria, atracado às margens do rio Tâmisa, em Londres. O coral foi registrado em uma igreja e a orquestra no AIR Studios, ambos na capital inglesa.

“5 A.M.” dá início à nova viagem musical de Gilmour. Com base orquestrada, quase etérea, e um violão, a canção instrumental traz a guitarra tão característica e emotiva de Gilmour em uma bela melodia. Faixa que poderia estar incluída tanto no excelente “The Division Bell” quanto em “The Endless River”. A faixa seguinte é o primeiro single oficial do álbum, “Rattle That Lock”. Baixo marcante e um coral muito bem colocado, a música parece ter saído direto do “A Momentary Lapse of Reason”, com uma pegada mais comercial, mas nem por isso menos interessante.

 

Aquela que talvez seja a música mais bonita do disco é a terceira faixa do repertório, “Faces of Stone”. Um piano com melodia bela e melancólica faz a introdução e dá espaço para o violão e a voz de Gilmour. Os solos de guitarra são magistrais. Em “A Boat Lies Waiting” Gilmour foi buscar no baú sons de seu filho quando ainda era um bebê. Hoje com 18 anos, Gabriel Gilmour toca piano na canção que é dedicada ao falecido parceiro Richard Wright.

Outro destaque do repertório é “In Any Tongue”, com um começo que traz à mente “Confortably Numb”, com o instrumental e o vocal juntos, quase desabando sobre o ouvinte. “Beauty” faz jus ao nome. Instrumental com uma guitarra quase space rock que mais uma vez remete ao já citado “A Momentary Lapse of Reason”.

A diversidade musical de “Rattle That Lock” chega ao outro lado do espectro com o jazz “The Girl in the Yellow Dress”, com instrumental bem diferente do restante do material, mas ainda assim sem soar fora de contexto.
 
 

Se lembrarmos a sonoridade dos últimos três discos de estúdio do Pink Floyd - “A Momentary Lapse of Reason” (1987), “The Division Bell” (1994) e “The Endless River” (2014) - percebemos que “Rattle That Lock” se encaixa muito bem no caminho musical que Gilmour trilhou com a banda nesses últimos 28 anos.

Talvez não haja uma canção impactante logo nas primeiras audições e também é verdade que a genialidade de Gilmour, ainda que imensa e inquestionável, sozinha não dá conta de produzir maravilhas como as feitas ao lado dos parceiros Nick Mason e Rick Wright. Menos ainda se incluirmos aí Roger Waters.

Mas, levando em conta que o Pink Floyd é um capítulo encerrado, um trabalho como este serve para continuar alimentando com boas músicas os admiradores do trabalho de Gilmour. Que venham outros.
 
VEJA CAPA E O PLAYLIST:


01. 5 A.M.
02. Rattle That Lock
03. Faces of Stone
04. A Boat Lies Waiting
05. Dancing Right in Front of Me
06. In Any Tongue
07. Beauty
08. The Girl in the Yellow Dress
09. Today
10. And Then... 


Com informações do Território da Musica

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