segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Disturbed: Immortalized


Com canções pontuais, obra apresenta um som mais encorpado, porém sem estrutura.
 
 
“Immortalized” é o mais novo trabalho de estúdio da banda norte-americana Disturbed. Este é o sexto álbum do grupo, que não lança nada de novo desde as canções de “The Lost Children”, de 2011.

Como se fosse um vinil sendo colocado para tocar, o som começa num ritmo lento e de certa forma alegre e limpo demais para ser considerado Disturbed, porém um solo bem colocado, pausado e sentido, faz sua parte em deixar um começo marcante. A descrição é da faixa “The Eye of the Storm” e abre a obra dando espaço para a faixa-título “Immortalized” logo em seguida.



Esta traz uma composição embebida no épico, que narra a luta pela sobrevivência em uma letra que não condiz em nada com a poética da banda. “The Light” é uma grande perda de oportunidade, por parte do vocalista David Draiman. A canção faria muito mais sentido na obra e agregaria um valor muito maior (principalmente aliada a “The Sound of Silence” mais à frente) se fosse cantada de uma maneira mais limpa e branda.

Em “Who”, oitava canção do disco, a guitarra utiliza um phaser em uma cadência que faz a música voltar ao ponto de partida. Um efeito discreto, mas que unido à excelente produção de Kevin Churko, faz toda a diferença na dinâmica da composição.

Com uma chamada telefônica acompanhada de um ritmo ensurdecedor, uma voz agoniada e cansada liga para falar que espera que tudo fique bem. Após uma guitarra bem construída e uma harmonia fluída em dissonâncias e que te leva aos poucos para a insanidade, recebe-se a última ligação. Toque. Toque. Toque. E a esperança que alguém atenda vai diminuindo até que com um clique a pior notícia chega. “O número que você está ligando não existe mais”. Esta é a narrativa de “Save our Last Goodbye”, música que fala sobre a perda e a melancolia da existência.

O recurso técnico de produção e composição é válido e muito bem vindo se utilizado com sabedoria e moderação. No caso de “Save our Last Goodbye”, faz seu papel sem deixar a canção massante e sem sentido, em apenas 20 segundos no inicio e 20 segundos no fim. É algo totalmente diferente do que foi apresentado, por exemplo, pela banda P.O.D em seu último álbum, “The Awekening” (2015).

O maior exemplo do balanceamento entre a raiva e a fúria, em congruência com a doçura e a leveza de um ritmo limpo e melódico, pode ser sentida com a versão de “The Sound of Silence”, composta originalmente por Simon & Garfankel em 1964.

A música mostra uma harmonia limpa e bem desenvolvida em uma tonalidade bem abaixo da original, resgatando essa peça única da música e trazendo ela ao encontro de David Draiman, que explora seus registros mais graves em uma voz limpa e como muita ressonância, fazendo o antigo encontrar com o novo e dando a canção uma nova face, mais nova e mais rica, mais viva.

“The Sound of Silence” teve uma interpretação de respeito e deixou a obra muito mais interessante. Porém ao se analisar a estrutura da obra, pode-se perceber que é uma canção que não deveria estar logo após “Fire Up” e precedendo “Never Wrong”. É como aveludar os tímpanos dos ouvintes com um arranjo que beira o clássico para depois dar uma pancada, com muita força, daquelas que fazem a orelha toda doer, logo em seguida.

A banda faz bem o seu papel ao trazer algumas peças únicas em meio à obra. Porém, a estrutura da obra em sua totalidade não é bem arranjada apesar do grupo manter seus trabalhos individuais impecáveis.

01. The Eye of the Storm
02. Immortalized
03. The Vengeful One
04. Open Your Eyes
05. The Light
06. What Are You Waiting For
07. You’re Mine
08. Who
09. Save our Last Goodbye
10. Fire it Up
11. The Sound of Silence
12. Never Wrong


Fonte: Território da Musica

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