sábado, 4 de julho de 2015

Breaking Benjamim: Dark Before Dawn

Com uma narrativa poética e intertextual, o álbum afasta os fantasmas de Benjamim Burnley

 
 
Começar a ouvir o novo trabalho de estúdio da banda Breaking Benjamim pode dar uma sensação de inquietude, mas ela logo passa quando acompanhamos as pesadas faixas que se desenrolam pelo novo álbum, uma vez que nem sequer é preciso dar play para analisar a obra.

O titulo é “Dark Before Dawn” e nele os artistas tiveram o insight surpreendente de colocar as faixas “Dark” (Escuridão) na primeira posição e “Dawn” (Amanhecer) em última, fazendo com que o título do trabalho tivesse toda uma poética envolvida, já que todas as outras faixas tomaram a proporção de “Before” (Antes/Anterior).

Com isso podemos interpretar, de forma muito bem-vinda, que as significações inseridas nos títulos de todas as faixas entre “Dark” e “Dawn” sejam assimiladas como coisas passadas, que já não fazem mais parte da realidade de Benjamim Burnley, vocalista, líder e único remanescente da formação original.

A canção “Dark” inicia a todos em uma obra que segue sua trilha em direção ao alvorecer, fazendo com que este seja um dos momentos mais sombrios das composições. A pequena gravação mixada em estilo radiofônico e acompanhada de alguns ruídos com ares inóspitos, dá o tom correto à poética da obra, acompanhada de uma linha de baixo de muita qualidade, se posta em conjunto com estes elementos.

Quanto à sonoridade da banda, se resume a um heavy metal alternativo que em determinados momentos coloca vocais guturais em meio a harmonias de conotação pop. As melodias impostas pelos vocais, gravados em pelo menos quatro canais, agradam aos ouvidos daqueles que gostam desta mescla sonora. “Close to Heaven”, por exemplo, possui uma brilhante atuação nas modulações vocais que são utilizadas na frase “I’m Coming Home” (outro destaque poético do disco).

As linhas de guitarra valem ser destacadas, nas canções “Breaking the Silence” e “Hollow”. Nesta última, as guitarras choram, de um jeito que os fãs de metal alternativo adoram, um main riff pesado que toma a frente enquanto a segunda guitarra chora surdamente, se escondendo atrás de sua companheira.

“The Great Divine” consegue começar com uma pegada distorcida e cheia de graves e no seu desenvolvimento cria uma cadência simples, porém muito singular, em que é possível ouvir o tilintar das cordas, com uma linguagem incrivelmente acústica e discreta em meio ao refrão e as palavras de redenção que ele carrega. Essa linguagem fica mais evidente quando a música cessa sua distorção em uma passagem curta, mais próxima ao final.

Como finalização da obra, a faixa “Dawn” é usada de forma poética novamente, não só pela sua colocação em lista, mas pela linguagem passada pelas guitarras em delay, lentas e adormecidas, enquanto uma batida surda ecoa ao longe, quase imperceptível se unindo à melodia das guitarras em uma tônica menor, que dá uma aparência muito mais concreta à canção que é totalmente instrumental. O amanhecer finalmente chega com o coro de vozes que terminam a obra.  
MUSICAS:
01. Dark
02. Failure
03. Angels Fall
04. Braking The Silence
05. Hollow
06. Close to Heaven
07. Bury Me Alive
08. Never Again
09. The Great Divine
10. Ashes of Eden
11. Defeated
12. Dawn
 
Breaking Benjamim: Dark:


Com informações do Território da Musica

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