quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Entrevista Rick Wakeman: “O amor número um da minha vida é a música”

 
Rick Wakeman no Teatro Bradesco São Paulo em 2012

Em 1974 Rick Wakeman lançou “Journey To The Centre Of The Earth”, um clássico do rock sinfônico inspirado no romance de Júlio Verne de mesmo nome (“Viagem ao Centro da Terra”). No ano seguinte o tecladista veio ao Brasil pela primeira vez promovendo o trabalho, e o público brasileiro pôde ouvi-lo ao vivo na íntegra e logo depois de seu lançamento, um evento raro para a época.

Quarenta anos se passaram desde então e muito mudou – inclusive “Journey To The Centre Of The Earth”, cujos 36 minutos originais quase dobraram graças ao resgate de músicas perdidas que não entraram no disco por falta de espaço no vinil. O que parece continuar igual é a energia de Wakeman, que se mantém “incrivelmente ocupado” até hoje e não pretende parar tão cedo.

Tanto que acaba de chegar ao Brasil para mais uma série de shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (confira o serviço completo ao final da entrevista). O público gaúcho inclusive terá mais uma chance de conferir “Journey To The Centre Of The Earth” na íntegra – dessa vez na versão completa, no show que encerra a turnê.

Os paulistas são os primeiros a receber Wakeman, que se apresenta hoje e amanhã no Teatro Bradesco. E pela conversa que tivemos com a lenda do rock progressivo um pouco antes de sua chegada, ele está tão empolgado quanto os fãs por voltar a viver seu “amor número um” – a música – no País pelo qual se apaixonou quase meio século atrás.

É bom tê-lo mais uma vez em nosso País. Você já veio ao Brasil diversas vezes, a visita mais recente foi há dois anos, como você vê o Brasil e o que a música brasileira representa para você?

RW:
O Brasil na verdade teve um papel na minha vida musical muito maior do que as pessoas talvez imaginem, porque quando era criança tocava muita música tradicional brasileira no rádio, então sabíamos até que bastante a respeito mas nunca vivemos a experiência. E foi interessante quando fui para o Brasil, em 1975 foi a primeira vez. O que foi incrível para mim é que parecia haver três coisas acontecendo o tempo todo, onde quer que você fosse as pessoas ou estavam dançando, fazendo música, ou estavam jogando futebol. Era simplesmente fantástico. E eu verdadeiramente me apaixonei completamente pelo País, pelas pessoas, por tudo. Eu tive muita, muita sorte, juntei tanta música original brasileira. E eu estava muito interessado mesmo, mais do que qualquer outra coisa, nos diferentes ritmos latinos. Porque quando é tocado por alguns músicos ingleses que tentam tocar música latina não é bem a mesma coisa, há uma sensação bem incrível na forma como tudo é feito.

E teve um grande papel porque eu voltei. Por exemplo, menos de um ano depois eu estava escrevendo a música para o filme das Olimpíadas de Inverno de 1976 [“White Rock”, lançado em 1977], e usei em “White Rock” basicamente o padrão rítmico exato que tinha ouvido e anotado quando estava aí no ano anterior. E na verdade meu baterista Tony Fernandez ficou muito interessado na forma que a música brasileira se estrutura, na percussão, e usamos bastante [dessa estrutura] na música que fazemos, tentamos adaptar para usar. E todas as melodias, eu amei, eu simplesmente amo a paixão que parece haver nas pessoas, e na música, e no futebol (ri). Não há dúvidas, [a música brasileira] teve e ainda tem uma forte influência na música que escrevo e toco. O Brasil teve um grande papel. E eu me lembro, depois de estar aí a primeira vez, de estar no voo indo embora e me sentir muito, muito, muito triste. Tudo que eu queria fazer era voltar. Até hoje eu gostaria de voltar e passar bem mais tempo, em vez de apenas ir, fazer alguns shows e ir embora. Eu realmente gostaria de ir e aprender ainda mais sobre a cultura, a música, músicos antigos e músicos novos. Isso é algo que eu realmente gostaria de fazer um dia.

No último dos novos shows no Brasil, em Porto Alegre, você irá tocar o disco "Journey to the Center of the Earth". O que esse disco significa hoje, depois de 40 anos de seu lançamento?

RW:
Foi muito interessante, porque tocamos ele [o álbum] originalmente em 75 no Rio, fizemos alguns shows no Rio. O interessante sobre “Journey” é que ele só tinha 36 minutos, porque isso era tudo que cabia em um LP, em um vinil, mas quando foi escrito na verdade ele tinha 55 minutos. Obviamente só tocamos 36 minutos porque o resto não caberia em um álbum, então havia muita música faltando, muitas canções faltando no álbum, que simplesmente desapareceram, na verdade. E aí toda a música de “Journey” desapareceu. E aí uma coisa muito estranha aconteceu, os maestros de “Journey” reapareceram mais ou menos sete anos atrás e meu grande amigo e maestro Guy Protheroe disse para mim: “sabe, o original tinha 55 minutos mas você nunca tocou nem gravou”, e eu disse “eu sei”. Ele disse “que ótima oportunidade de colocar toda a música que estava faltando”.

Então regravamos o álbum, que saiu agora. É todo o álbum original mais os 20 minutos de música que faltavam. Acabou de sair na Inglaterra e está saindo nos outros lugares agora, principalmente para compra online. E a resposta tem sido fantástica. Chegamos às paradas no Reino Unido, e fez um sucesso imenso, ficamos muito, muito felizes, e meio que muito orgulhosos com tudo. E foi interessante porque para nós era tão fresco e novo como quando o fizemos 40 anos atrás. Então voltar ao Brasil e poder tocá-lo de novo significa muito para mim.

Esse disco foi lançado logo depois de sua saída do Yes. Você voltou para a banda e saiu novamente algumas vezes depois disso. Você não consegue dizer 'não' para o Yes?

RW:
É, pessoas disseram que a minha relação com o Yes parece a da Elizabeth Taylor com o Richard Burton: não conseguíamos viver um com o outro mas não conseguíamos viver separados. Eu gostei de todas as vezes que trabalhei com o Yes, mas há diferentes razões pelas quais voltei e fui embora. Jon [Anderson] e eu somos amigos fantasticamente próximos, então nos falamos bastante, fizemos um disco juntos, fizemos pequenas turnês e coisas juntos. Mas é muito interessante, há muito a fazer na vida quando se trata de música, e infelizmente o máximo que você pode fazer é, suponho, aquilo que os anos que você tem de vida permitem. Se há muitas coisas que você quer fazer fora das limitações de uma banda, então você tem que ir fazê-las.

Meu grande amigo Jon Lord, do Deep Purple, ele deixou o Deep Purple porque havia muita música e muitas coisas que ele queria fazer fora da banda, por mais que ele amasse o Deep Purple. E fico muito feliz que ele tenha feito isso. Fizemos seu último show juntos, éramos ótimos amigos, e aí ele foi diagnosticado com câncer e morreu dentro de seis meses. Então por mais que amasse ele no Deep Purple fico muito feliz que ele tenha tomado essa decisão de sair e fazer a música que fez, porque se ele tivesse ficado com a banda teríamos perdido toda a música maravilhosas que ele compôs. Então é muito difícil, mas eu curti tudo que podia meu tempo com o Yes, acho que tive sorte de estar com eles durante alguns dos grandes períodos de composição com “Fragile”, “Close To The Edge” e “Going For The One”, e também quando acho que a banda estava tocando melhor, acho que por volta de 2003, 2004 quando, um pouco que nem a vitória de um time de futebol, todo mundo estava tocando fantasticamente bem.

Então fico satisfeito de ter feito parte do Yes quando fiz. Se você juntasse todas as vezes que estivemos juntos, passei aproximadamente 13 anos da minha vida com o Yes, o que é um bom tempo.

Como você mesmo disse, há muito para fazer na vida em termos de música. Além dessa turnê e do relançamento de “Journey”, há planos para um novo disco ou projeto? No quê você está envolvido ultimamente?

RW:
Sim, estou trabalhando em um novo projeto com Brian May, vamos trabalhar juntos fazendo alguma coisa. Tenho alguns outros projetos de rock orquestral que quero fazer, também faço muita televisão na Inglaterra, e claro, vamos atravessar países tocando “Journey” em lugares diferentes. É uma mistura de estúdio, shows, televisão, que faço bastante, lancei três livros e fui contratado para escrever outro. Todos os dias são incrivelmente ocupados, e sou muito grato porque gosto de estar ocupado, não gosto de não fazer nada.

Além de estar sempre ocupado, você tem cinco filhos, se não estamos enganados...

RW:
Seis, tenho seis filhos

Então, seis filhos, alguns netos, e até problemas de saúde no passado. Tudo isso e se mantendo sempre ocupado. Como é equilibrar a saúde, a família e a vida na estrada numa carreira que já dura 44 anos?

RW:
Muito, muito, muito difícil. Você está certa, tive alguns problemas de saúde sérios, mas sabe, meio que coloquei eles de lado. Porque se você começa a se preocupar com questões de saúde e o que poderia acontecer, não faz nada nunca. Com a família é muito difícil, quer dizer, fui casado quatro vezes. Por sorte tenho uma esposa muito compreensiva, estamos juntos há 12 anos e ela é um grande apoio. Meus filhos estão todos crescidos, tenho seis filhos e nove netos. Não os vejo tanto quanto gostaria. Eu vivo dizendo “talvez eu devesse fazer menos, passar mais tempo vendo meus filhos crescidos e suas famílias. A dificuldade é – e acho que é a mesma para muitos músicos – que o amor número um da minha vida é a música. E às vezes a música pode ser muito, muito, muito egoísta e pode ficar acima de todo o resto. Quer dizer, eu passo tempo com meus filhos, passo tempo com meus netos. Nos falamos, por telefone ou de alguma forma, praticamente todos os dias. E sempre que posso vou visitá-los, ou eles vêm me visitar. Mas dois dos meus filhos são músicos profissionais, então eles sabem como é. Adam está com Ozzy Osbourne há 11 anos, e com o Black Sabbath, ele fica fora mais tempo que eu. Acho que a coisa é que eles entendem como é, mas você tem que ter uma família muito, muito compreensiva se é músico.

27 e 28/10/2014 - São Paulo/SP
Teatro Bradesco São Paulo - Rua Turiassu, 2100 - 3° Piso
Horário: 21h00
Ingressos: R$ 270,00 (plateia, filas de A a N), R$ 260,00 (camarote), R$ 250,00 (plateia, filas de O a W), R$ 190,00 (Frisa, 1º andar), R$ 170,00 (Balcão nobre), R$ 150,00 (Frisa, 2º andar), R$ 70,00 (Frisa, 3º andar, vendas apenas na bilheteria do teatro).
Vendas online e por telefone: www.ingressorapido.com.br / 4003-1212
Classificação etária: 12 anos (menores apenas acompanhados pelos pais ou responsáveis)
Informações: www.teatrobradesco.com.br

29/10/2014 - Rio de Janeiro/RJ
Teatro Bradesco - Av. das Américas, 3.900/Lj 160
Horário: 21h00
Ingressos: : R$ 90,00 (Frisa), R$ 190,00 (Balcão Nobre), R$ 270,00 (Plateia Alta), R$ 290,00 (Plateia Baixa) e R$ 220,00 (Camarote)
Vendas online e por telefone: www.ingressorapido.com.br / 4003-1212
Pontos de venda: FNAC Barra Shopping, Saraiva Mega Store Shopping Rio Sul, Saraiva Mega Store Norte Shopping, Loja South Centro, Theatro Net Rio, Loja Vivo Ipanema, Posto BR Piraquê, Loja Vivo Shopping Leblon, Posto Burgão e Posto BR Bougainville.
Classificação etária: 12 anos (menores apenas acompanhados pelos pais ou responsáveis)
Informações: www.teatrobradescorio.com.br

30 e 31/10/2014 - Porto Alegre/RS
Auditório Araújo Vianna - Av. Osvaldo Aranha, 685
Horário: 21h00
Ingressos: R$ 200,00 (Plateia Baixa Central), R$ 160,00 (Plateia Baixa Lateral), R$ 110,00 (Plateia Alta Central), R$ 90,00 (Plateia Alta Lateral)
Vendas online e por telefone: www.ingressorapido.com.br / 4003-1212
Classificação etária: 12 anos (menores apenas acompanhados pelos pais ou responsáveis)
Informações: www.oiaraujovianna.com.br
“Journey To The Centre Of The Earth”

Fonte: Território da Musica

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